Disseram muitas coisas...

Disseram pra ele que as coisas deveriam ser exatamente do jeitinho que são e ponto final. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que trabalhar era algo abominável, um mal necessário e um castigo. Disseram que existiriam dias intermináveis que o tempo pareceria nunca passar, para que enfim terminasse o martírio de mais um dia de trabalho. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que sonhar e correr riscos era algo abominável e que todos que acreditassem ser possível construir algo grandioso, seriam considerados sonhadores alienados, bitolados, pobres coitados, dignos de pena e alvo de muitas gargalhadas em rodas de amigos. Eles garantiram a ele que esses sonhadores desajustados sempre acabariam explorados pelo sistema inescrupuloso e insaciável. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que quem nasce pobre morre pobre, que existiam cartas marcadas, que somente prosperava quem se envolvesse em algo ilícito, quem se tornasse jogador de futebol ou que ganhasse na mega sena. (...) Disseram pra ele em todas as rádios e TV que a melhor filosofia de vida seria a do "deixa a vida me levar..."
Esqueceram de dizer pra ele que a maioria dos que ganham na loteria, empobrece poucos anos mais tarde, que a média salarial de um jogador de futebol é menor que a média de um professor, que as subcelebridades dos reality shows tem uma efêmera fama que é muito diferente de sucesso e que logo caem no ostracismo e que devemos escolher melhor os nossos referenciais a serem seguidos.
Que pena que não disseram tudo isso pra ele. Assim ele terminou a vida sem acreditar nos próprios projetos e sem conquistas... Um grande desperdício.

Flávio Augusto da Silva (17 de abril, 2013 em www.administradores.com.br)


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