Felicidade Fake


Vivemos em uma época estúpida, que vende a ideia de que podemos ser felizes o tempo inteiro. Como um bando de micos amestrados ou palhaços de circo, estampamos sorrisos e alegria aos quatro cantos reforçando essa ideia de uma felicidade que se alicerça no sucesso e na beleza. Não basta viver, hoje temos a necessidade de mostrar a felicidade num grande pacto de estupidez que anuncia que só não é feliz quem não quer. E cegos realmente passamos a acreditar que a grama do vizinho é mais verde o que não raras vezes aumenta o sentimento de inadequação e tristeza que teimamos em colocar embaixo do tapete. É verdade que ninguém deve ficar anunciando sua tristeza e fragilidade em redes sociais, isso a gente faz nos braços de quem verdadeiramente nos quer bem, na sala do terapeuta ou nos nossos momentos de fé. Mas que possamos manter a capacidade critica e não comprar tão barato a fantasia de podemos e devemos ser felizes o tempo todo, acreditar nisso é o maior atestado de ignorância que alguém pode passar.
É falta de inteligência e capacidade crítica pois qualquer pessoa que pensa e sente sabe que isso é impossível. Atingimos estados de satisfação, momentos de grande felicidade e a capacidade de ser alegre apesar de uma série de coisas. Apesar das perdas, das faltas, das tristezas, dos erros, das injustiças, da miséria, da dor que nasce de motivos internos ou em função da desigualdade do mundo que nos cerca. Eu não acredito em gente feliz que não possa ser triste, que não tenha atravessado vales de sombra e solidão, que não tenha conhecido a dor e sofrido por suas perdas. Pois são essas as experiências que nos tornam mais intensos e nos fazem valorizar os bons momentos e curtir intensamente a felicidade.
E não esqueça, se você encontrar por ai alguém que diz ser feliz o tempo inteiro, desconfie pois ou você está na frente de um mentiroso ou de um grande idiota.
(Andréa Beheregaray)

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