Eu e meus sonhos

“Estava me distanciando dos meus sonhos. Fazia isso porque questionava as chances de alcançá-los. Imaginava que eu necessitaria de algo além da persistência. Percebia meus sonhos como conquistas compatíveis com o tamanho de minha imaginação, porém maiores que o meu coração. Assim, preferia permitir um “sonho alternativo”, mais adequado à minha suposta possibilidade de concretização. Aceitava essa lógica meramente compensatória e frágil, mas me doía admitir que esse gesto de desistência, me mutilaria essencialmente e esta parte arrancada de mim, por mim, cedo ou tarde gritaria no meu peito. Decidi então retomar a trilha de meus sonhos originais. Por mais longo e sinuoso que fosse o caminho até eles, convencia-me de que, a partir daquela corajosa e amorosa decisão, contaria com a compreensão do Universo. Certamente, pensava, o Universo me recompensaria com a ressonância daquele gesto de amor que dediquei a mim. Hoje, tenho consciência da magia que vivi naquele impasse existencial. Quase abdiquei de meus sonhos, mas eles próprios jamais abdicaram de mim. E estou certa de que nos encontramos, eu e meus sonhos, no preciso momento em que desisti de desistir deles.”
(Xamãs Sherotáia Kê Takoshemí)

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