Liberdade

Liberdade. Nunca senti o gosto que essa palavra parece ter. Me parece sempre um misto de vento batendo nos cabelos com mergulhar num mar no qual não se sabe a profundidade. Não importa. Eu quero mergulhar nesse mar. Soltar um grito rouco de quem não sabe bem para onde está indo, mas, ao mesmo tempo, de quem quer ir. Sou pássaro. Sou ventania. Sou voz que canta as delícias de correr sem ter onde chegar. O único lugar onde quero chegar é no meu eu-profundo. Na minha consciência sem fim e tão estreitamente sóbria. Quero ser vermelho, quero ter o vermelho em mim, gravar o vermelho como forma de grito ao amor. Sou amor. Sou amor que voa, que corre, que gira, mas que sempre volta ao corpo do qual saiu. 

(Anne Damasceno)

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