Rotina de esperança

"A gente olha pras mazelas do mundo e se comove. Chora, fica mal, se desnorteia. Mas a vida segue. Daqui à pouco tem mais um compromisso, a rotina nos exige a alma. E a gente simplesmente dá. E as mazelas persistem. E as dores de muitos se avolumam. Dores de injustiça, de invisibilidade, de fome. Fome de tudo. Fome sobretudo de esperança. Talvez, porque deixamos a rotina nos engolir. Mais uma vez. Ensurdecidos, cegados, desligados, amortecidos. Mais uma vez ela venceu, e em troca, só nos deu mais dela mesma. Ou seja, nada. Ela não nos merece sabia? Somos melhores que isso, não nascemos pra tão pouco. Por isso, não perca a chance, não a satisfaça. Saia dos trilhos, vire a mesa, chute o balde, não a obedeça! Todas as vezes que conseguir, de toda forma que puder, olhe sem julgar, alimente, sem pestanejar. Aqueça. Abrigue. Acolha."

(Gi Stadnicki)

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