As revistas e os anos 90

Laura Bailey para Loreal. Revista Claudia, Janeiro 1998
Quando eu tinha 13 anos vi essa propaganda em uma revista, lembro de ter achado a modelo tão perfeita que recortei a foto dela e guardei em uma pasta por alguns anos, me pareceu tudo tão surreal que tive que guardar. As revistas naquela época nos ditavam muitas coisas, hoje não sei se eram apenas vitrines ou se elas mostravam o que deveria estar nas vitrines. Os nossos cabelos, a forma "correta"de usar roupas, acessórios, qual modelo de sapato usar, para não ficar de fora, não tinha outro jeito, era assim e pronto, quem ousava ser um pouquinho diferente, ou iria parar nas capas de revistas ou seria totalmente excluído de qualquer coisa. Imagino como deviam se sentir as editoras de moda, meio deusas talvez, ditando o comportamento de milhões de pessoas.

Não lembro de ler sobre direitos das mulheres, talvez alguma coisa sobre adaptar a moda ao seu próprio estilo, porque personalidade devia ser algo importante, sem gordinhas nas capas, pouquíssimas afrodescendentes, víamos personagens gays nas novelas, mas não discutíamos sobre isso, não sei se por naturalidade ou preconceito velado. Falar sobre a tal ditadura da beleza ainda era tabu, me pergunto como tantas questões demoraram uma eternidade para serem discutidas, mesmo depois da liberdade dos anos 70 e 80 e a então era moderna que acreditávamos ser os anos 90. Claro que muitos só lembram das coisas positivas, como a liberdade das brincadeiras, os relacionamentos mais estreitos, as conversas cara a cara e apesar da TV e revistas de moda a aparência não era uma missão na vida por assim dizer.

Atualmente tanto as revistas quanto suas editoras são engajadas e ativistas quando se trata de posicionamento social das mulheres, suas lutas por direitos iguais e respeito, moda sustentável, todos esses preconceitos ridículos que alguns ainda nutrem na sociedade agora regida pelas redes sociais. Ainda leio revistas, os fãs clubes são grupos de seguidores online e se intitulam "fandom", a moda ainda é um império, mas esse império hoje cultua a autenticidade de estilos e personalidade, as celebridades não precisam estar na TV, só precisam que seus seguidores sejam medidos por "K", as revistas estão cada vez menos disponíveis em versões impressas, suas editoras disputam espaço com as "fashion bloggers" e os quartos adolescentes não são mais cobertos de pôsteres.
Eu costumava colecionar revistas, mesmo que tivessem meus artistas favoritos nas capas, sempre gostei da forma como abordam vários assuntos, algumas vão de moda à culinária em três páginas, passando por fotografia, viagens, jardinagem, música, cultura, crônicas... Sim, posso encontrar tudo isso na internet, adoro o google, mas talvez seja dessas "das antigas"que volta e meia tem uma recaída e bate a nostalgia de sentir um mundo de possibilidades nas mãos, também sou assim com os livros, mas deixa esse para outro post.

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