Anestesia social

De um lado podemos ver uma geração inteira com a fragilidade equiparada a uma fratura exposta, a depressão se tornando mais comum do que gripe em Julho, uma crise imigratória que as pessoas sentem a agonia daquelas famílias somente quando as fronteiras estão distantes do próprio quintal, um mês inteiro dedicado a campanhas de prevenção ao suicídio e o número com denúncias de violência das piores naturezas crescendo feito grama na temporada de chuva. Do outro lado vemos a maioria das pessoas simplesmente anestesiadas, parecem estar atuando num palco onde tudo isso acontece do lado de fora, surdos aos gritos de socorro dos vizinhos, cegos a infinidade de vidas sem valor nenhum diante dos olhos xenofóbicos que descobrem ter depois de adultos, mas negam pro resto do mundo porque são covardes demais para assumir que só pensam no próprio umbigo, só se importam com quem pode pagar e se sentem superiores por não precisar passar pelos sofrimentos alheios. Eu não sei até quando vai isso, mas já passou da hora da consciência do povo evoluir ao ponto de pelo menos se colocar no lugar do outro, antes de fechar os olhos e fingir que nada acontece, sejam quais forem as circunstâncias.

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